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__Apresentação |
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Artigos__ |
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| Elaborar e questionar uma revista voltada à publicação de graduandos em Ciências Sociais não é, aparentemente, tarefa complicada. Todavia, as exigências, cada vez mais intensas dos órgãos fomentadores da pesquisa no Brasil, dirigidas aos docentes e pesquisadores, sugerem pistas para compreender os percalços que enfrentamos a cada edição. Glauco Ludwig Araujo mostra, por exemplo, em seu trabalho de conclusão de curso intitulado Produtivismo científico, condições de trabalho docente e o ensino de graduação: Transformações em curso na UFRGS, que a “exigência de índices produtivos altos tem impactado negativamente nas condições de trabalho dos docentes e na sua dedicação ao ensino de graduação”. A política educacional brasileira parece caminhar, no que se refere à organização acadêmica, em direção ao abandono da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Uma evidência desse processo são as alterações legislativas. Por exemplo, o conceito de universidade expresso no artigo 207 da Constituição de 1988 versa que as políticas universitárias devem obedecer (sic) o princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. No entanto, as disposições decorrentes, não fizeram jus ao pressuposto. Os sucessivos decretos que regulamentaram a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996, relativos ao ensino superior, parecem ser exemplos dessa ruptura. Em um decreto mais recente, o de número 3.860/01, o termo indissociabilidade simplesmentedesapareceu da legislação educacional, conforme se pode constatar na redação do artigo 8º desse decreto: “As universidades caracterizam-se pela oferta regular de atividades de ensino, de pesquisa e de extensão...” (grifos nossos). Na nossa concepção, ensino, pesquisa e extensão não são fazeres articulados ou conjugados, mas esferas da mesma atividade acadêmica, compreendem a essência da produção universitária e encerram seu significado intelectual e social. Este princípio reflete um conceito de qualidade do trabalho acadêmico que incentiva o estreitamento de relações entre universidade e sociedade, a autonomia teórica e prática dos estudantes, a auto-reflexão crítica, bem como o compromisso democrático das atividades acadêmicas. Sua concretização implica a realização de projetos coletivos que, por sua vez, definem nossos objetivos enquanto bolsistas do Programa de Educação Tutorial. Como tudo isso está relacionado com esta revista eletrônica? Em primeiro lugar, sofremos com a desvalorização da educação em nível de graduação. Em segundo lugar, a construção da revista se dá de forma coletiva e pretensamente aberta. Por último, dependemos da estrutura de funcionamento da universidade na qual estamos inseridos. Esses pontos estão intrinsecamente relacionados com a necessidade de reconhecimento intrapares. Ou seja, trabalhamos com outra lógica de produção que não a pressuposta no individualismo produtivista. Esbarramos, entretanto, com um contexto marcado por atribuições de mérito que valorizam o já consagrado em detrimento da experimentação, da inovação e dos processos pedagógicos em elaboração. Todavia, esperamos que a qualidade do que apresentamos aqui reflita nossa satisfação em publicar mais uma edição de uma revista de e para graduandos, fruto de um modo de organização em que acreditamos e que esperamos difundir, num espírito de colaboração horizontal, democrática e ética que defendemos para a produção acadêmica e relações em geral. Quem se opõe ao amor? |
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Entrevista__ |
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| Porto Alegre, dezembro 2011. | ||||||||
Grupo PET Sociais UFRGS Revista Todavia revistatodavia@gmail.com |
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